A importância da fisioterapia aquática no tratamento da encefalopatia da infância

Dra Sandra Jabur Wegner

A encefalopatia da infância mais conhecida como paralisia cerebral é consequência da falta de oxigênio durante a gestação ou o parto, ocasionando lesões na área motora e cognitiva do cérebro, sendo a primeira normalmente a mais grave.

O tratamento através da fisioterapia é de extrema importância para estas crianças, iniciando este no solo e posteriormente, quando estiverem estabilizadas, migrando para a água.

Na água utilizamos técnicas como Halliwick que se assemelha ao Bobath no solo. Os objetivos principais são o controle de cabeça, da respiração, de tronco e normalização do tônus.

Se a criança for hipotônica vamos estimulá-la através das técnicas aquáticas que expandem o tônus. Se for muito rígida, hipertônica, técnicas de relaxamento aquático, focando redução do tônus.

As propriedades físicas da água, como empuxo e a pressão hidrostática, auxiliam e estimulam o movimento, aumentam a sensibilidade superficial em todo o corpo por igual. A água abraça o bebê e a criança, em um envolvimento completo, estimulando a sensibilidade  térmica, tátil, olfativa e gustativa através do soltar bolhas na água.

Os estímulos visuais, sonoros, através do barulho realizado na água, através do movimento da água atuando no labirinto, no cerebelo e no equilíbrio na água temos muitos recursos, ela é facilitadora do movimento.

A piscina deve ser terapêutica, com água aquecida, patamares, escadas, borda prainha e rampada com diferentes profundidades permitindo trabalhar desde bebê até a criança mais velha e adultos: a água deve ser salinizada evitando alergias respiratórias e da pele.

Na água a criança que é cadeirante, portadora de paralisia cerebral, consegue caminhar, subir e descer degraus.

A pressão hidrostática ampara, apóia o corpo da criança aumentando a estabilidade. O empuxo facilita o movimento mas também gera o desequilíbrio, que ajuda na aquisição de reações de equilíbrio tão importantes para o desenvolvimento motor que são transferidas para o solo.

O que é mais importante é dar continuidade deste tratamento aquático até pelo menos os 10 anos de idade para depois seguir para a natação especial com o professor de educação física. A piscina é ambiente facilitador ideal para o desenvolvimento psico afetivo sócio motor destas crianças.

Quando chegam na adolescência após anos de tratamento, estão cansadas de fisioterapia aquática e de solo. Está na hora de fazer um trabalho personalizado no Studio e na água dependendo da gravidade com o fisioterapeuta ou com o professor.

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